segunda-feira, 17 de outubro de 2016

sumário em trabalho - avaliação da disciplina

(capítulo de um livro)
Sumário:
1-Apresentação
2- Platão e os Rapsodos em alguns trechos da República, Íon, Fedro (e Ilíada)
2.1 Fedro e discurso rapsódico
2.2  República, Ilíada e Narrativa
2.3  Íon e Performance
3-Algumas reflexões entre performance, dramaturgia/montagem, audiovisualidade e narrativa em Platão – uma leitura a partir dos modernos (O Narrador, O Futuro do Drama, Lacoonte, The Singer of Tales).
4-Considerações finais
5-Bibliografia

Segue um texto em que tento escrever algo entre os tópicos 2.1 e 2.2

Antes de analisarmos o livro 3 da República (onde se discute a teoria literária diante da construção hipotética – no discurso –  de uma cidade justa) e algumas partes do Íon (onde Sócrates contracena com um próprio Rapsodo, vejamos o que Platão nos fala acerca dos Rapsodos no Fedro 277d-278a, ao discutir com ele os discursos convenientes (uma espécie de crítica a escrita ou aos discursos, já no final do diálogo):
Porém, aquele que pensa que todo discurso escrito, não importando o assunto, terá, por força, de conter boa dose de brincadeira, e que não há peça oratória em verso ou prosa digna de ser encarada com muita seriedade, tal como acontece com as composições dos Rapsodos, que não permitem exame e nada ensinam, pois só têm a finalidade de persuadir, não passando os mais bem logrados discursos de recurso mnemotécnico para os que (já) sabem; e que julga que somente no discurso que versa sobre a justiça, a beleza e a excelência e que é proferido por mestres no interesse da instrução, e efetivamente numa alma, representa clareza, perfeição e avaliação séria, que tais palavras devam ser tidas como a própria autêntica prole do orador, em primeiro lugar o discurso no interior dele mesmo – se aí puder ser encontrado – e, em segundo lugar, os descendentes ou irmãos desse discurso que possam ter brotado de um honroso modo em almas alheias, e que não atentam para outros discursos- essa pessoa, ó Fedro, provavelmente é como eu e tu desejaríamos nos tornar. (Phaed, 277d-278a)

            A critica socrática é ferrenha para os Rapsodos: de dentro da própria oralidade ( no contexto literário) Sócrates critica os Rapsodos pela sua simulação de saber e sua força/finalidade de persuasão. Em contraposição a essa performance mnemotécnica, Sócrates repousa a dignidade e seriedade em outro modo de discursos. Esse tom irônico e esse confronto com os Rapsodos e Homero por parte de Platão, se desdobra em diversos diálogos. Lembremos que Aristófanes, na comédia ‘as Nuvens’, retrata seu Sócrates como um avoado filósofo que acaba por morrer no final da peça.
            A receptividade e produção das rapsódias e do teatro grego é algo assistido e presenciado fortemente por Platão. A formação primeira de Platão (além de ser destinado à política por ser de família nobre) era a de dramaturgo-poeta. Depois de conhecer Sócrates se converte para a filosofia, movendo sua formação nessa direção.
            Mas e o próprio texto platônico? Também ele tenta persuadir para alguma direção, também ele é em algum sentido rapsódico? Como se interpretar o estilo dialógico? Os diálogos platônicos são uma narração mimética? Uma performance, uma atuação, e portanto estariam em segundo plano, perante as críticas à forma narrativa? Vejamos por um momento como começa a República em comparação com a Iliada:
Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
 e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
 ficando seus corpos como presa para cães e aves
 de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
desde o momento em que primeiro se desentenderam
o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.
E na República:
Ontem desci até o Pireu com Glaucon, filho de Aríston, a fim de dirigir minhas preces à Deusa, e ao mesmo tempo, com o desejo de ver de que maneira celebravam a festa, pois era  a primeira vez que a faziam. (327a)
É possível descobrir algo acerca dos narradores a partir desses trechos? Quem é o narrador na Ilíada? Homero, que raramente ou nunca se mostra como personagem, mas narra os eventos da guerra. Um ‘eu’ subentendido que roga a Deusa que cante a ira de Aquiles, e logo começa a narrar o resgate fracassado da filha de Crises.  Na República é o próprio Sócrates que narra os eventos e falas dos demais personagens.“(Eu) desci ao Pireu... para rogar à Deusa...”.  Temos aí alguma evidência acerca do modo narrativo em que se enquadram Homero e Platão? E quais outros elementos dramáticos que temos para pensar essa estranha (e aporética?) relação de Platão em conjunção com Homero e os Rapsodos?

sábado, 15 de outubro de 2016

TÍTULO: Emergência, proliferação ou crise da figura do narrador – diálogos possíveis entre Benjamin, Lehmann e Sarrazac.

EMERGÊNCIA, PROLIFERAÇÃO OU CRISE DA FIGURA DO NARRADOR – DIÁLOGOS POSSÍVEIS ENTRE BENJAMIN, LEHMANN E SARRAZAC
Bárbara Gontijo

Walter Benjamin afirma, em seu artigo sobre a obra literária de Nikolai Leskov, "O narrador" (1936), que a sua figura está em extinção. Em seu ponto de vista, o que provoca esse desaparecimento parte da escassa experiência comunicável e da arbitrária produção de notícias do tempo entre guerras em que escreve. O romance será, justamente, o rompimento com a tradição narrativa arcaica, que tem o narrador como aquele que “[conta] sua própria experiência ou a relatada pelos outros. E incorpora as coisas narradas à experiência dos seus ouvintes” (BENJAMIN, 2012). Já Sarrazac (2002), em sua tese de que o teatro contemporâneo passa por uma rapsodização – isto é, resgata uma noção antiga de um performer que transmite a tradição oral – sugere a existência do dramaturgo-rapsodo. Ele seria, como o narrador arcaico, produtor de presença que, nesse caso, é ploriferada e expandida. Sem uma unidade orgânica, as vozes nos textos se tornam fragmentadas, plurais e desierarquizadas. Lehmann, também falando do teatro feito a partir do século XX, sugere não só uma disseminação das vozes e de sujeitos, mas também uma experiência que podemos identificar como semelhante a que se refere Benjamin com relação ao narrador arcaico. Afinal, o teatro seria “um tempo de vida em comum que atores e espectadores passam juntos”, no qual a representação  “faz surgir a partir do comportamento no palco e na plateia um texto em comum” (LEHMANN, 2002). Portanto, neste artigo, pretende-se cotejar as diferentes teorizações dos referidos autores com relação à condição do narrador na contemporaneidade. Com o intuito de cernir as divergências e confluências de suas perspectivas, os questionamentos aqui propostos investigarão a presença do narrador no teatro produzido atualmente. Em outras palavras, as observações de Benjamin sobre o narrador na literatura podem se relacionar com a questão do drama contemporâneo?


PALAVRAS-CHAVE: dramaturgo-rapsodo, narrador, Benjamin, Lehmann, Sarrazac

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012.

LEHMANN, Hans-Thies. Teatro pós-dramático. Tradução de: Pedro Süssekind. São Paulo: Cosac Naify, 2007
SARRAZAC, J-P. O futuro do drama: escritas dramáticas contemporâneas. Tradução de Alexandra Moreira da Silva. Porto: Campo das Letras, 2002.
Hans-Thies Lehmann - Teatro Pós-dramático, doze anos depois Rev. Bras. Estud. Presença, Porto Alegre, v. 3, n. 3, p. 859-878, set./dez. 2013. Disponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/presenca>


SUMÁRIO


1 – Introdução ao contexto histórico e temático das proposições a serem estudadas
1.1 – Benjamin, o entre guerras, literatura e Marxismo

1.2 –  Sarrazac e a dramaturgia moderna

1.3 –  Lehmann e o teatro contemporâneo na Alemanha
2 – Exposição das teorias
2.2 – O narrador em vias de extinção
2.3 – O dramaturgo-rapsodo (ou autor-rapsodo)
2.4 – O pós-dramático
3 – Cotejamento entre as teorias: possíveis diálogos
4 – Conclusão

6 – Bibliografia

sábado, 8 de outubro de 2016

TÍTULO: Contadores de Rosa e em Rosa


Assim como os rapsodos performavam os poemas de Homero, os grupos de contadores de estórias “Miguilim” e “Caminhos do Sertão”, de Cordisburgo, Minas Gerais, apresentam ao público as narrativas do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), que nasceu e viveu parte de sua infância na cidade.

Ser um dos Miguilins, em Cordisburgo, é sinal de distinção na comunidade. Os meninos escolhidos desenvolvem técnicas para decorar trechos longos de obras como Grande Sertão: Veredas (1956), Corpo de Baile (1956) e Sagarana (1946), para apresentá-los ao público que visita o Museu Casa Guimarães Rosa e também às pessoas que vão à Cordisburgo durante as anuais “Semanas Roseanas”.



Se é “Miguilim” dos 11 aos 18 anos; depois dessa idade, se a pessoa quiser continuar contando estórias, ela pode entrar para o “Caminhos do Sertão”, grupo que organiza caminhadas literárias pelos cenários reais que inspiraram Guimarães Rosa. Mais experientes e maduros, os caminhantes do sertão “ousam” mais em suas performances, adicionando à declamação dos textos, música e gestos mais teatrais.




Neste ensaio, pretende-se analisar as performances de integrantes desses dois grupos de contadores de estórias, relacionando-as com estudos sobre os rapsodos homéricos e com os narradores populares que aparecem nos próprios textos rosianos, como o violeiro Laudelim (ou Pulgapé), de "O Recado do Morro"; Joana Xaviel e o velho Camilo, personagens de "Uma estória de amor"("Festa de Manuelzão").


Palavras-chave: rapsodos; João Guimarães Rosa; contadores de estórias; grupo Miguilim; grupo Caminhos do Sertão.


Bibliografia básica: The singers of tales (Albert B. Lord); Corpo de Baile (J. G. Rosa); Vaqueiros e Cantadores (L. Câmara Cascudo); O Narrador (W. Benjamin); Nos passos de Homero (M. Mota).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

material do artigo

Dia 17 de outubro postar:
1- sumário(divisão e subpartes)
2- um tópico(subparte)

MODELO 1 CAPÍTULO DE UM LIVRO

1 apresentação
2- seção 1
3 seção 2
4- conclusão
5- bibliografia.

MODELO ARTIGO

titulo
nome
 resumo
palavras chave
abstract
keywords

1- 4 parágrafos de observações preliminares
2- discussão conceitual
3- análises
4- rediscussão conceptual/conclusão
5- bibliografia



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

o que é, o que ele faz? tópicos sobre o rapdsodo

1- Sarrazac:  transferência da questão para a dramaturgia, tema de composição, ou como uma obra é organizada.
2- Benjamim: memória e descentramento da palavra. multissensorial.
3- Platão. Descrição dos atos envolvidos na produção e recepção de poemas épicos.
4-Hipótese Parry-Lord. Rediscussão do conceito de texto a partir de um contexto performativo. Fator Performance.
5- Lessing. Texto e audiovisualidade.
TÍTULO:
Fenomenologia da Performance: ou rapsodo ou ator.
RESUMO:

Olhando para Homero como tragediógrafo, partindo da percepção de Platão que já indicava que dentro da épica homérica estavam presentes elementos puramente narrativos integrados a momentos miméticos. Afirma Platão: “Nem é possível ser, simultaneamente, rapsodo e ator.”  (Platão, A República), separa ele, então, a narrativa das questões performativas. Já A. Lord, em The Singer of Tales, que o poema oral, próprio do rapsodo, não se desvincula da performance, pois sua composição se dá no ato faz no ato da performance. 
Gostaria de confrontar essa dualidade, ou não dualidade, e propor uma roteirização de um trecho da Odisseia em que rapsódia e mimeses coexistem. Me parece que seria uma tentativa de aproximar Homero e Brecht
PALAVRAS CHAVE:
Platão, Homero, rapsódia, performance 
BIBLIOGRAFIA:
PLATÃO. A República. (Trad. M. H. P. da Rocha) Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2014.
HOMERO. Ilíada. (trad. F. Lourenço) São Paulo. Penguin Companhia, 2013. 
LORD, A. The Singer Resumes the Tale. Cornell University Press, 1995.